Arquivo para March, 2009

22
Mar

Poetry

Poetry is an exercise of the spirit within one, and every time you exercise it, you increase your Vitality.

Poetry is language, language is knowledge. Poetry is knowledge of the self, of our emotions, of our actions and most important: reactions.
Exercise self-expression, reacting, is a way of developing our minds - and a healthy mind will most probably compose a healthy being. Off course it depends on the being ego, that might blind him from important physical issues that are beyond the mind.
Exercise poetry, train language as much as possible. It’s good for you and yours.

16
Mar

Shemá Israel

Fazem uns 3 anos, publiquei um texto sobre o fundamentalismo islâmico e a influência do mesmo no que seria um fundamentalismo judaico. A constante decepção trás para ambos os lados dores e receios - e alguns grupos de decepcionados se juntam para tratar de trazer decepção para o decepcionador. O paradoxo é inevitável, acabamos entrando em um labirinto finito de decepção. Finito por que é pessoal.

Abaixo o texto na íntegra. Não mudei nada, por mais que tivesse vontade de ajeitar algumas coisas que aprendi com o tempo. Tem uma pequena abertura em aúdio para dar algum tom.

(((audio)))

Shemá Israel - texto original no blog antigo

A alvorada já brilha ao oriente da cidade velha de Jerusalém. É um daqueles dias frios, algumas pessoas pelas ruas, turistas despenteados parados, fumando com suas malas em prontidão a espera do monit sherut que os leva para o aeroporto e como não, o monit sherut dirigido por um marroquino que leva muito a sério seu trabalho e que neste momento voa pelo centro em busca do Sr. Bobby Goldenberg, que parece ter cometido terrível equivoco por haver deixado o telefone de sua ieshiva como telefone de contato. O pior de tudo é que ninguém atendia no número informado. O motorista o encontra na hora marcada e no ponto marcado. Pobre Sr. Bobby. Ele simplesmente não tinha um telefone próprio, vive em comunidade, na ieshiva. Mal sabe disso o motorista, não lhe interessa.
- As regras são feitas para serem bem cumpridas. Por que você me dá um telefone aonde não pode ser encontrado? - recebe o motorista e o olha com um olhar mortífero, como se aquele incidente fosse símbolo de falta de respeito e colocasse em jogo o sucesso de sua operação de coleta, transporte e entrega de material humano para as embarcações aéreas civis. No entanto ele foi doce, permitiu que o atrasado se acomode e feche a boca.

Naquele mesmo momento, toca o sino na escola, ou algo que se parecia com uma escola pelo menos, e se escutam os gritos e a movimentação, os ônibus verdes já são mais presentes e trazem as pessoas para seus lugares. A cidade começa a acordar de verdade, o sol traz luz, mas as pessoas trazem as cores. Acordo. Escuto um microfone defeituoso que chia terrível pois parece ter sido colocado ao lado de um celular, o som para, fico reconfortado depois de um desespero instantâneo. As caixas de som voltam a funcionar, o microfone agora fala:
- Alláhu Akbar. Alláhu Akbar…
Repete, infinitamente. É hora da oração, hora de se levantar. Tomo meu tempo, faz frio. Agarro meus óculos e dou-lhes uma bela baforada para limpar suas lentes. Amareladas, assim eram as lentes. Depois de tantos anos usando-as, já não estranho. São apenas óculos.
- Alláhu Akbar. Alláhu Akbar…
Segue, forte, crescente. Me levanto da cama e me limpo propriamente. A limpeza é sempre muito importante. Visto-me parcialmente, deixo de lado o Hijab. Me preparo e começo as orações da manhã.
- Máleki yaom´edinn…
O som não para. Rezo, rezo forte, com amor. Uma hora aproximadamente, longo. Nada como uma boa manhã de meditação para começar bem o dia. Tenho fome e preparo um sanduíche. Tomo um café turco bem doce. Um belo café da manhã. Não tenho pressa hoje, diferente dos outros dias. Tomo meu tempo, sigo refletindo a respeito da minha missão neste mundo e encontro sempre a mesma resposta, sempre a mesma coisa, a reflexão não adianta muito por que me lembro que já me havia decidido há algum tempo e que seria hoje. Louvo a D´us e me levanto. Agarro o hijab que antes havia deixado de lado e me visto. Agarro a mochila que me haviam deixado há dois dias e abro novamente. Há peças de metal e uma bolsa grande de nylon com forro, macia e fofinha. Agarro as peças e monto como diz a instrução, são alguns encaixes apenas, coisa fácil. Coloco tudo isso na bolsa de nylon e levanto o hijab na altura dos peitos, amarro-a minha barriga e deixo a bata cair por cima. Como pesa essa porcaria. Já a havia usado com as peças desmontadas, quando cheguei ao alojamento, vim com a mesma roupa.O alojamento fica a algumas quadras do Monte do Templo e do Santo Sepulcro. Um péssimo lugar com uma ótima localização. Saio sem pressa, incógnito, pago ao gerente que gentilmente me abre a porta e me cumprimenta pelo bebe. Não abro a boca, mantenho a distância adequada. Como já disse, faz frio em Jerusalém nessa época do ano. Não sou de Jerusalém, venho da Faixa de Gaza, lá é muito mais quente. Vim em ônibus de linha israelense, protegido, não tive nenhum problema na fronteira, não trazia nada suspeito, recebi tudo no ponto marcado, dentro de um depósito no centro da cidade de Jerusalém, perto de Nachlaot. Caminho pelas ruas sem nenhuma dificuldade. Por todo o caminho compenetrado, a atenção não se desvia nem mesmo para todas aquelas coisas penduradas para enfeitiçar turistas e pobres consumistas. Não sinto o peso, já disse, estou compenetrado. Penso nas guerras, penso na injustiça, penso nos mortos, penso nas vidas que perdemos por causa desses malditos. Penso em tanta coisa… São nossos inimigos mortais e devem sofrer a conseqüência de seus atos de violência contra nossas famílias. Não há caminho para a paz com esse povo. Penso em D´us, louvo baixo, bem baixo. Penso e ganho forças para seguir meu caminho, vejo sentido na minha missão.

Passo o posto de checagem policial israelense, sem problemas, não checam a mulheres muçulmanas neste posto. Entro e sinto o remorso agarrando meu pescoço e tratando de sufocar minhas intenções. Alguma razão veio a mim quando vi aquelas crianças. Me lembro do futuro. Chego ao ponto combinado, no centro. Acho que não consigo completar a missão. Agarro o controle no bolso. Me arrependo profundamente. Tiro o pano que cobria minha cara, respiro fundo e vejo o monte de lápides, o palco da redenção. Penso novamente, olho para cima e estou debaixo da grande luz. Eles assassinaram meu futuro. Raiva. Tenho raiva e grito mais forte que qualquer microfone:
- Shemá Israel.
Tomo fôlego e aperto o botão laranja.

E Israel escutou. Mais forte que qualquer microfone.
Como na profecia, a cúpula dourada se ergue pelos ares. Mas não há mashiach, não há mashiach…

11
Mar

X-plain explica a operação Chumbo Fundido em Gaza


Os humoristas do programa semanal de baboseiras, Eretz Neederet (Terra Sublime), fizeram um pequeno vídeo clipe de rap sobre a situação no sul de Israel e por que aconteceu a operação chumbo fundido durante o início do ano.

O vídeo foi pro ar durante as semanas da operação, mas não tive tempo de fazer upload antes. Encontrei então esta versão na internet com subtítulos em inglês.

07
Mar

Game Show na biblioteca?


Uma interpretação japonesa de um game-show que se executa dentro de uma biblioteca e por isso todos devem manter o silêncio. O participante que agarrar a carta marcada com um X deve pagar uma prenda que é determinada no início de cada rodada.
É um tipo de comédia muito comum no Japão, interpretada por dublês que topam fazer de tudo. Seria uma versão original japonesa do que é o americano Jackass.

Abaixo o tal quadro. Duração: 10 minutos. Meio parado por que os participantes tem que manter o silêncio durante a sketch.

07
Mar

Diáspora ou Sião? Eis a questão…

O tema da última semana no nosso querido blog multinacional é a eterna dúvida que todo expatriado sempre vai ter: Será que teria sido melhor no Brasil? Será que se eu voltar agora eu posso ter uma nova chance? Será que no Brasil eu seria mais feliz, perto de amigos de infância, de épocas ilustres e da querida família?

Não é fácil realmente decidir qual o destino final dos seus sonhos. Afinal, que lugar irá servir de cenografia e que pessoas irão fazer parte dos próximos atos dessa canção que chamamos vida? Uma coisa é certa: ficar no Brasil sempre vai ser mais fácil - não parar para pensar nessas mudanças fazem com que pelo menos estemos conformes. Quanto mais se conhece, mais se deseja, mais se questiona e menos seguros estamos de nossas decisões - por que sabemos que existem diversas outras opções possíveis e pensamos não estar seguindo a correta quando nos debatemos com algum obstáculo no meio do caminho.

Eu escrevo desde Israel, dos países que temos correspondentes no BrasilcomZ, acho que é o país mais cheio de obstáculos. Só pelo conflito constante já é complicado, a guerra então nem se fale, os atentados ai ai ai, o serviço militar obrigatório ui ui ui, a escassez de emprego xiiii…, a língua difícil com letrinhas e pontinhos diferentes oi oi oi, salários relativamente baixos e custo de vida alto, ei! Quem não fica loco com essa situação?

Os obstáculos não são poucos e durante os anos que estou aqui, pelo menos 50% das pessoas que chegaram e estudaram hebraico comigo nos primeiros meses de adaptação já decidiram que era demais para eles. Que não valia a pena ultrapassar esses obstáculos e que a experiência haveria servido para abrir os seus olhos de que o lugar que sempre buscaram para viver na verdade era aquele em que se sentiam mais em casa, o nosso querido Brasil.

Israel foi idealizado como uma solução para o povo judeu, uma maneira de garantir uma soberania nacional para o povo judeu e garantir a sua sobrevivência nessa nova etapa da soberania mundial. O movimento sionista surgiu como resposta natural a nacionalização de diversas nações no mundo - para os que não sabem, as nações como conhecemos hoje surgiram apenas no século XIX. A idéia era de que para que sobrevivessemos como judeus, era fundamental que houvera um corpo nacional que defenda nossos direitos. O movimento surgiu no fim do séc. XIX, mas só obteve resultados em 1948, depois que 6 milhões de judeus foram massacrados. Antes disso ninguém acreditava de que Israel fosse realmente necessária, pensavam que era um capricho de poucos que não estavam preparados para superar os obstáculos sociais de uma Europa em estado de nacionalização.

Um dos grandes retardatários da necessidade de um estado judeu se chama América. Naquele momento, quem pudesse e quisesse, poderia imigrar para a América, a terra dos sonhos de muitos imigrantes de todo o mundo. Dentre esses imigrantes, milhões de judeus chegaram a todos os portos do nosso querido continente preparados para superar os mais diversos obstáculos que viessem pela frente. Para essas pessoas não existia a dúvida de voltar ou não voltar, naquele momento não havia essa possibilidade - uma viagem durava meses e custava muito dinheiro. As telecomunicações como conhecemos hoje não existiam. As condições eram realmente adversas e a única esperança que restava era superarse nesta nova realidade. E foi o que muitos fizeram e de esperança e dedicação construíram suas famílias, seus negócios - enfim, fizeram da América o que é a América.

Para grande parte do povo judeu, imigrar para a América foi a solução adotada para escapar da ameaça eminente. Para outra parte bastante menor de corajosos idealistas, imigrar para a então Palestina Inglesa foi a solução. Por mais que os obstáculos na América fossem grandes também, os obstáculos na Palestina eram muito maiores. Uma terra abandonada por anos, aonde as coisas mais simples tinham que ser construídas do zero. Estes pioneiros que chegaram antes da criação de um estado judeu criaram um novo tipo de sociedade socialista igualitária e em grupo superaram obstáculos nunca antes imaginados. Os chalutzim (חלוצים, pioneiros) formaram os conhecidos kibutzim (קיבוצים) e muniram de esperança milhares de imigrantes idealistas que fugiam decepcionados da então em formação União Soviética que traiu aos judeus que tanto apoiaram a revolução, pensando que ela finalmente traria igualdade entre todos.
Estes jovens foram buscar formar na Palestina essa sociedade ideal.

Hoje Israel é um país diferente, moderno, e que não lembra muito seus primeiros anos de pionerismo. A igualdade entre todos ficou esquecida com a ofensiva de nossos vizinhos que tomaram a entrada dos judeus como uma ameça para sua soberania ideológica sobre os habitantes da região. Os sheikes(dominadores árabes) não gostavam nada das histórias de bicho grilo dos pioneiros de que tudo era de todos e que todos eram iguais. Tudo e todos são do sheike e de ninguém mais. E agressão de um lado, agressão de outro e paz e amor acabou escapando e se refugiando em Tel Aviv, em forma de cultura.

A verdade é que quando penso em voltar, acabo entrando nesse transe histórico e sinto que é aqui mesmo aonde devo estar. Não importa os obstáculos, superar cada um deles só irá fortificar. Não sou religioso praticante, mas acredito que todos os judeus dispersados devem ter a opção de vir se estabelecer em Sion. E nós que estamos aqui hoje, vamos garantir que isso seja possível.

Postado no blog BrasilcomZ - 07/03/2009




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